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C.F.Caniçal

E. Básica 2/3 CICLO



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História da Colonização do Caniçal

Breve historial


O núcleo primitivo da colonização desta freguesia provem, diz o Dr. Azevedo, da fazenda povoada no sitio assim chamado (do Caniçal), a qual pertencia a Vasco Martins Moniz, falecido em 1510; este fez aí morgado, por testamento de 5 de Setembro de 1489, a favor de seu primogénito Garcia Moniz, o qual foi senhor do Caniçal e fundador da igreja do lugar, no primeiro quartel do século XVI.

Mais velho, mas talvez ainda contemporâneo de Vasco Martins Moniz, foi João Teixeira, terceiro filho do descobridor Tristão Vaz, o primeiro donatário de Machico, e dele diz Gaspar Frutuoso: "foi grande caçador e inclinado a montar, e por essa causa havia na Vila de Machico uma coutada sua no Caniçal, de tanta caça de coelhos, perdizes, pavões, e muitos porcos javalis, que se afirma que era a melhor coutada de todo o Portugal". O que dá a entender numa carta que hoje em dia está na Câmara de Machico, escrita por El-rei D. Manuel aos oficiais dela, em que lhes encomenda muito que tenham estreita conta com a coutada dos filhos do primeiro capitão, e que ninguém entre nela, porque lhe inculcavam e afirmavam que, se ele aceita-se vir á ilha, em nenhumas outras terras podia montar e caçar, senão nesta do Caniçal, e campos de Santa Catarina.

Embora nos pareça haver algum exagero nas palavras do cronista, devemos no entretanto acreditar que a coutada tinha importância, e os terrenos que a constituíam ainda hoje conservam o nome de Terras de João Teixeira

O Caniçal é a mais antiga das pequenas paroquias desta ilha. O Seu isolamento e dificuldades de comunicações com as povoações vizinhas mais ainda do que o número dos seus moradores, aconselharam a criação da freguesia, o que se deu pelos anos de 1561, pois nesta época nem chegariam a 15 os casais que a povoavam. O Alvará régio de 12 de Setembro de 1564 fixou em 14.300 réis o vencimento anual do pároco, que foi respectivamente aumentado pelos alvarás de 24 de Novembro de 1572, 10 de Setembro de 1589, 22 de Outubro de 1592 e 31 de Agosto de 1609, ficando então a perceber anualmente a usufrui de 24.000 réis em dinheiro, um moio de trigo e uma pipa de vinho, o que em atenção á população, constituía um ordenado superior ao de outros vigários, o que se justificava pela pobreza e isolamento do lugar. Sabemos que no período decorrido de 1590 a 1660 foram párocos nesta freguesia os padres Amador Caldeira, António Ferreira de Quental, Matias Catanho e Vicente Luiz.

Foi na capela de S. Sebastião, fundada por Garcia Moniz no primeiro quartel no século XVI, que se instalou a sede da nova freguesia. Por 1594 se acrescentou ou reedificou a mesma capela, deixando-a em tal estado de ruína o terramoto de 1748, que uma testemunha contemporânea diz que não tem outro remédio senão nova edificação. A 9 de Junho de 1749 se lançou a primeira pedra para a construção do novo templo, que é o actual, procedendo-se á sua bênção solene no dia 13 de Dezembro de 1750. Foi erigido em sitio um pouco afastado do da primeira igreja, conservando este ainda o nome de Sitio da Igreja Velha

Tem esta paroquia a capela de Nossa Senhora da Piedade, pitorescamente situada no alto dum monte e a debruçar-se sobre as aguas do oceano. Foi construída no monte Gordo ou da Piedade, a distancia de 4 quilómetros da igreja paroquial. É ocasião de fazer referencia á original procissão que todos os anos se realiza em direcção a esta capela, saindo o préstito religioso da igreja paroquial a caminho da praia, onde toma alguns barcos vistosamente engalanados, sendo de perto seguida por um numero considerável de pequenas embarcações á vela até a raiz do monte, fazendo-se aí o desembarque e em seguida a penosa ascensão da aprumada escarpa, dando por fim entrada na pequena e solitária ermida.

Os terrenos desta freguesia então em grande parte por cultivar, devido á escassez de aguas de irrigação. Tem falta de fontes de agua potável e não é atravessada por ribeiras. O autor das Saudades, referindo-se certamente a uma época muito anterior àquela em que este livro foi escrito (1590), diz o seguinte:

Para se regarem canas de açúcar nesta vila (Machico) e para o Caniçal, se tirou de uma levada água de tão longe, que do lugar onde nasce até a vila serão quatro léguas e meia ou perto de cinco, na qual se gastaram mais de cem mil cruzados, por vir de grandes serras e funduras e dizem que na obra dela se furaram dois picos de pedra rija, por não haver outro remédio. Raphael Catanho, com o grande espírito que tem, como quase todos os estrangeiros e principalmente os desta nação, foi o primeiro que começou a tirar esta água, e depois El-rei a mandou levar ao cabo: e, pelo muito custo que fazia, já se não usa. A esta passagem de Frutuoso acrescenta o padre Fernando Augusto de Pontes, no seu interessante livro Excursões na Madeira: "é esta mesma levada a que abastece de agua a quinta do Palheiro Ferreiro. Parece que noutros tempos teve esta freguesia uma notável arborização, e ainda hoje, ao norte dela, se encontram algumas matas, restos talvez das antigas florestas."

Nos limites desta paroquia ficam os conhecidos Fosseis, que são um dos pontos de maior interesse que esta ilha oferece ás observações dos naturalistas. A eles nos referimos em outro lugar. (Vid. Corpos Calcários da Piedade).

A ponta de S. Lourenço com seu ilhéu adjacente, onde estão instalados um farol e uma estação telegráfica e semafórica, merecem mais demorada referencia, o que faremos em artigo especial.

Entre a povoação e a Ponta de S. Lourenço fica a interessante e pitoresca baía da Abra, não menos vasta do que a de Machico, e muito abundante em peixe. Houve o pensamento de ali se construir um porto de abrigo e arsenal de marinha, chegando para este fim a realizarem-se alguns estudos no primeiro quartel do século passado.

Aquém desta baía, isto é, entre ela e o povoado, fica uma pequena praia que tem o nome de Prainha, e que é bastante visitada pelos veraneantes que passam a estação calmosa na vila de Machico. É a única praia de areia que tem esta ilha, ficando situada ao fundo duma pequena e pitoresca enseada. Nas imediações dela se levantava a antiga igreja, e hoje prepara-se ali a construção dumas salinas.

Com excepção da parte povoada, é esta freguesia em geral muito montanhosa e de um grande acidentado nos seus terrenos, podendo fazer-se menção dos montes ou picos do Penedo do Saco, do Junqueiro, Lagedo, Cancela, Judeu, Dragoal, Tojal, Facho e Castanho, ficando o alto deste a mais de 600 metros acima do nível do mar. O pico da Cancela é uma cratera extinta, e das suas imediações se avista a ponta de S. Jorge e a ilha do Porto Santo, sendo nesta eminência que verdadeiramente começa o cabo ou Ponta de São Lourenço.

A freguesia é dividida em vários sítios, sendo estes:
-Feiteirinhas
-Banda da Silva
-Serrado dos Marmeleiros
-Entre as Aguas
-Banda de Além
-Palmeira de Cima
-Palmeira de Baixo
-Sitio da Cova Grande.